Meu filho vive me testando!

-Nossa, parece que quer me tirar do sério
-Tá pedindo para ficar de castigo

Essas frases povoam a maternidade/paternidade desde que o mundo é mundo mas, antes de assumir que o objetivo dos nossos filhos seja nos enlouquecer ou serem castigados, que tal pensar no motivo deste comportamento?

Crianças são cientistas por natureza e é muito importante que assim seja. Como estão tendo suas primeiras experiências, precisam testar diversas possibilidades para entender como o mundo funciona. Nos primeiros meses de idade, esses testes dão-se no plano físico. O bebê bate o mesmo objeto em diferentes superfícies para ouvir os diferentes sons que elas produzem. Quando no colo de um adulto joga o mesmo objeto no chão exaustivamente (principalmente para o adulto que fica abaixando e pegando o tal objeto) para ver se ele cairá todas as vezes. Assim vão, naturalmente, aprendendo como o mundo funciona.

Conforme crescem, esses testes vão mudando de esfera e passam a acontecer nas relações humanas. Então, quando você disser “não”, seu filho vai transgredir para saber qual a sua reação. E depois da sua reação, ele vai transgredir novamente porque uma vez não é suficiente para criar um padrão. É por isso que ficam olhando para nós quando vão mexer em um objeto proibido. Ficam atentamente observando nossas expressões faciais, corporais e nossas atitudes.

Essa transgressão pode assumir diversas formas. As mais comuns são repetir o ato proibido e chorar ou fazer alguma outra forma de birra quando tem um pedido negado. Nessas situações os pais costumam sentir-se desafiados ou desrespeitados porque, aparentemente, a criança está desobedecendo para afrontá-los. Mas, mantendo em mente o processo de desenvolvimento pelo qual os pequenos estão passando, fica mais fácil agir de forma compreensiva e mais clara.

O melhor é agir da mesma forma sempre que a situação for coincidente, ou seja, o que é permitido é sempre permitido e o que não é permitido nunca é permitido, esses testes vão gradativamente diminuindo em frequência e intensidade porque seu filho vai perceber o padrão de comportamento que você tem. Entretanto, se os pais um dia deixam porque estão com paciência e, no dia seguinte proíbem pois estão cansados, a tendência é que aquela situação precise ser testada mais vezes até que se estabeleça um padrão compreensível.

É importante lembrar que essa reação não precisa e não deve ser energética, ríspida. Basta falar com a criança de forma calma, clara  e manter a posição explicada. Dessa forma a criança não sente medo, o que favorece o processo de aprendizagem. Vamos praticar?